O Espírito é Dinâmico

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Na Reforma protestante, venceu-se a opressão das promessas de salvação através de pagamentos, obras e sacrifícios. Foram tempos de rompimento com a religião que destruía a vida do espírito e o relacionamento com Deus.

Infelizmente, o homem tem a terrível capacidade de poluir o mover santo e puro do Espírito. Deus moveu-se para devolver a salvação pela fé, a vida do Espírito no homem e o sacerdócio do crente. Mas, o homem levantou-se para extremar o que Deus queria fazer com equilíbrio e sabedoria.

Calvino, ao combater os desvios da Igreja instituída da época, conduziu a doutrina para o extremo oposto, em que tudo é feito por Deus, tudo é planeado por Deus, tudo é controlado por Deus. Pegou nos escritos de Agostinho em vez dos Pais da Igreja e aquilo que era para ser uma mudança de vida, tornou-se uma mudança de uma prisão para outra: do domínio das obras para o domínio do determinismo.

Não estamos a querer exaltar homens ou diminuí-los, porque no meio das falhas humanas e dos erros das ideias humanas, Deus move-se em poder e tira vida do caos. Deus moveu-se mesmo assim, no meio do erro e do extremismo.

Cedo surgiram questionamentos, embora com muito temor. Nesses séculos, os mais santos tinham um zelo como o de Paulo, quando era perseguidor da Igreja. Não era apenas perigoso colocar em causa as ideias do Catolicismo, mas também o era entre os protestantes.

Nesse contexto, Jacob Arminius foi um dos que em parte se levantou contra a teologia calvinista que já fora mais radicalizada pelos seus seguidores. Trazendo alguma luz nas trevas instaladas, disse que os acontecimentos não são determinados, mas permitidos.

Nesta forma simplista, não queremos aprofundar as teologias, mas dar uma perspetiva geral de como Deus se move e quer continuar a mover-se. Mesmo quando o homem proíbe que outros pensem e questionem, o Espírito de Deus insiste em levar-nos mais além.

Nos séculos posteriores, diversos moveres aconteceram… Moveres de santidade, de cura, de missões… Depois vieram os moveres pentecostais e de fé… Ao chegarmos ao século XX, a Igreja protestante dividia-se em alguns grupos muito facilmente identificáveis.

Os que estão presos à Reforma, creem num calvinismo teórico que na realidade não podem praticar, porque levaria a uma passividade total e impossibilidade de ser homem na Terra. O determinismo se fosse praticado faria com que não se testemunhasse, que não se pensasse, que não se escolhesse entre a vida e a morte. Porém, encontramos formas de viver santas e dedicadas nos que creem neste sistema teológico. Deus é sempre maior que as ideias dos homens!

O outro grupo, menos ligado ao estudo e à argumentação, move-se nas ideias de Arminius… Crê que Deus é soberano, mas que dá espaço ao homem para escolher. Contudo, segundo estes, não acontece nada de mal ao crente que não seja permitido por Deus. Usa-se o Livro de Job e a história de José, como se fosse o Evangelho a seguir.

Por outro lado, os mais recentes seguidores dos movimentos de fé explicam o mal pela ação do diabo e a bênção pela ação do crente que colhe de acordo com aquilo que semeia. Recebe sempre de acordo com a sua fé, porque Deus já fez tudo.

A maioria das Igrejas hoje pertencem a um destes três grupos. As neopentecostais que apenas se centram em libertação acabam por se posicionar, em termos doutrinários, em algum destes grupos também.

Ao observar a Igreja de Deus, vejo os cristãos muito presos à linha de que fazem parte. Têm dificuldade em perceber que o Espírito é dinâmico. Mesmo abordando o tema desta forma tão superficial, conseguimos ver Deus a agir na Igreja, procurando levá-la a mais maturidade.

O Espírito libertou a Igreja da dependência de Cleros e obras, depois fê-la assumir a sua liberdade de escolha, e mais tarde encheu-a do Espírito e de fé. Tenho perguntado a Deus em que mover estamos…

Tenho tantos amigos que estão presos aos moveres da fé e não conseguem discernir que tudo contribuiu para o crescimento que Deus está a operar para levar a Igreja à maturidade. Os princípios são para reter e praticar, mas Deus já vai mais além…

Entretanto Deus restaurou a herança hebraica da Igreja, restaurou a adoração em Espírito, os dons espirituais na Igreja, mas mais ainda… Tenho pedido para Ele abrir os nossos olhos…

Consigo discernir que, nestes últimos anos, Deus se tem movido em relacionamento e intimidade. Nunca como nos últimos dez anos, Deus se fez íntimo e próximo dos que o buscam. O Deus de amor tem sido revelado numa dimensão que até os mais tradicionais se têm escandalizado.

Os grupos dentro da Igreja acusam-se, sem perceber que se completam… Os que seguem o último mover, chamado de Teologia relacional e os da Adoração espiritual são acusados de não pregar o arrependimento em toda a sua plenitude…

Ao olhar com os olhos do Espírito, o que Deus nos tem dito recentemente é que, não basta crer que Deus é Senhor e soberano (calvinismo), não basta crer que podemos escolher (arminianismo) e crer ao ponto de receber pela fé (moveres da fé), mas é preciso conhecer e amar o Pai de uma forma íntima e apaixonada.

Não é que os moveres passados estejam errados, e Deus não seja soberano, e não possamos alcançar tudo pela nossa escolha e fé, mas há mais do que isso…

No Esconderijo do Altíssimo temos tudo! Podemos correr e praticar todas as leis e princípios para o sucesso, porém aquele que se aquieta e vive na paixão da sua presença será alimentado por corvos, verá a sua glória no Monte e colherá os frutos no Jardim, no meio do descanso, apenas porque está escondido Nele!